Tiradentes. Neste ano, prometo que não vou reclamar do calor, nem da chuva, nem do monte de gente. Prometo. Tenho motivos: a Mostra nunca começou tão legal. Os dois filmes a que eu assisti ontem estão, com certeza, entre os cinco melhores que eu já vi por aqui. Ambos tratam de personagens de vidas difÃceis, mas de forma bastante diferente.
“Querôâ€, de Carlos Cortez, dá um soco inesperado no estômago com o inferno que o personagem-tÃtulo enfrenta em sua (in)existência. Maria Luiza Mendonça, estupro, PlÃnio Marcos e o excepcional Maxwell Nascimento se encontram nessa montanha-russa dirigida pelo estreante em longa de ficção Carlos Cortêz. A dor só passou com as risadas provocadas por...

Maxwell Nascimento e Carlos Cortês (Querô), crÃticos convidados e Débora Ivanov (produtora Querô).
...“O cheiro do raloâ€, de Heitor Dhalia (Nina), humor negro da maior qualidade, cronicalizando (acabei de inventar essa palavra? Ela existe? Por favor, mandem correções) o vazio do protagonista que sacaneia as pessoas, explorando seus momentos de dificuldade e comprando sua dignidade por preços irrisórios. Nunca o cinema brasileiro foi tão politicamente incorreto. E poucas vezes foi tão engraçado.
Aliás, conhece Apolo Nove? É um cara de São Paulo, que faz a trilha do filme. Se não conhece, baixa aÃ, que é uma surf-music-pop-quase-chiclete bem divertida. E não deixe de conferir durante a semana, que as resenhas estão por vir, quentinhas do forno.
Some-se a isso uma coletiva descontraÃda e frutÃfera com o diretor homenageado Beto Brant e o sábado foi um dia beeem legal. Muita coisa ainda por vir. A pré-adolescência parece fazer bem à “Mostra de Tiradentesâ€, só espero que não me depare com uma insólita TPM pela frente. T+