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Oi Tem Peixe Na Rede - BH, Lapa Multishow, 09/12/05

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Os Peixinhos

por Braulio Lorentz

Fotos: Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega


Kátia Dotto: peixinha tenta angariar fãs dos peixões

O festival Oi Tem Peixe Na Rede, promovido para incentivar novos talentos do pop brasileiro, começou virtual e depois migrou para os palcos de três capitais: Vitória, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Dos 804 nomes inscritos, três foram selecionados para apresentações nessas cidades.

O Lapa Multishow foi o aquário escolhido em BH para o show de quatro peixes muito diferentes entre si. O peixão da noite era capixaba (mais no texto abaixo). Os outros três peixinhos disputavam um baita prêmio final: disco e clipe bancados pela gravadora SonyBMG.

Os cariocas do Canastra abriram a festa, com uma mistura pouco comum na praça. Country, surf music, camisas floridas, rockabilly, sambinhas e muito bom humor conquistaram os presentes e deixaram clara a ligação direta do Canastra com uma finada banda carioca. O vocalista Renatinho tocava no Acabou La Tequila, que também tinha Nervoso na bateria. Com o nível de mesmice mais baixo do que o dos concorrentes, a vitória do Canastra, anunciada no dia seguinte, no Rio de Janeiro, não foi uma surpresa.


Se 2005 foi da Estiano, quem sabe 2006 será da Stock?

De São Paulo veio o Luxúria, com cheiro de Cranberries e cover de Ramones nas mangas. “Sheena is a Punk Rocker†e Marjorie Stock também: as duas juntas foram as responsáveis por uma das maiores rodas de pogo que eu já vi na minha vida. Marjorie, vocalista do Luxúria, foi a dona da frase mais simpática da noite: “Nossa, tô com dor no joelho de tanto dançar ontem, e é por causa de vocêsâ€. Virei o pescoço e avistei o Canastra. E se a tendência é que toda gravadora procure sua própria Pitty, o Luxúria fez crer que é um excelente candidato para tal.

Para fechar a trinca de novidades, Kátia Dotto subiu ao palco. A ex-baixista do Leela já passou também pelo Penélope. MartaV e mim são outras bandas do currículo de Kátia. Mesmo em carreira solo, ela continua parceira de suas ex-companheiras: Bianca Jhordão, do Leela, é sua assessora de imprensa, e Érika Nandes, ex-Penélope, é parceira de composição e produção. Kátia Dotto tem voz pequena e um punhado de canções que eu ouviria em casa deitado na minha almofada azul. Arriscou um “No one Knows†do Queens of the Stone Age e tentou, sem sucesso, ser mauzona para arrebatar os fãs de Dead Fish.

O Peixão

por Rodrigo Ortega

Fotos: Braulio Lorentz e Rodrigo Ortega


Rodrigo: protagonista dos melhores momentos

O Dead Fish está vivo - A banda capixaba fechou o festival Oi Tem Peixe na Rede, em Belo Horizonte. Eles comprovaram o ótimo momento da carreira. O som do Dead Fish é direto e jovem. Bons atributos para manter música pop viva, sem revival.

Dead Fish é carne nobre - Depois do estouro do CD Zero e Um e do DVD MTV Apresenta, ambos de 2004, a gravadora Deckdisc resolveu relançar os seus quatro discos anteriores. O show em BH foi especial, já que a banda toca desde seu início, há 14 anos, em casas underground da cidade, que hoje são pequenas para seu público. A escalação foi adequada para o festival: toda gravadora sonha em ter um Dead Fish em sua rede.

Os trocadilhos são simples, mas de coração. Assim como as melodias que transformaram o Lapa Multishow em uma grande roda de pogo. Muitos fãs ainda fizeram questão de subir no palco e mergulhar de volta na platéia. Vale registrar a violência desnecessária dos seguranças contratados pelo Lapa.

Quem tomou controle da situação foi o vocalista Rodrigo. Ele recebeu a todos no palco com entusiasmo, às vezes com apertos de mão, às vezes mandando-os descer. A histeria se manteve tanto nas canções do último disco (“Bem vindo ao clubeâ€, “A Urgênciaâ€), quanto dos anteriores (“Noiteâ€, “Sonho Médioâ€). Já que ninguém se machucou (muito), podemos relatar os melhores momentos:

. Rodrigo vai cuspir no chão e, sem querer, acerta em um menino que tenta subir no palco. Super atencioso, vira-se para ele e faz cara de “foi mal, amigo, mas eu estou cantando e vocês estão descontrolados, você sabe...â€


Os fãs invadem o palco e o baixista Ayland (ao fundo) se diverte

. Um outro fã vai para cima do Rodrigo, que, sem saber o que fazer, dá um beijo no garoto. Ele fica tão emocionado que resolve se abaixar para descer do palco, em vez de mergulhar de ponta. Nisso, o vocalista literalmente sobe no fã, e fica uns bons segundos equilibrado em suas costas.

. Uma menina sem-noção abraça Rodrigo no meio de uma música. Ele não consegue se soltar e, sem opção, retribui o carinho da moça. Eles ficam durante quase toda a música abraçadinhos. Ele deve ter se lembrado do velho ditado: “Tá no inferno, abraça o capetaâ€.

. No meio do caos, a banda toca com uma segurança impressionante. Enquanto os garotos entram em histeria coletiva, os guitarristas Hóspede e Phillipe continuam com seus acordes seguros e expressões serenas. A postura anti-rockstar dos caras lembra um quinto e último momento, que aconteceu em outra noite, mas vale a pena ser contado.


Rodrigo tem uma visão diferente do segurança mal-educado

. No penúltimo show da banda em Belo Horizonte, no festival Pop Rock, a equipe do Pílula Pop na TV procura entrevistados no saguão de imprensa. Dois carinhas com pinta de fãs estão por perto, e o nosso produtor não hesita:

- Ei, ei, vocês sabem se o pessoal do Dead Fish já passou por aqui!?

- (Meio sem graça) Ehhh... Eu sou guitarrista do Dead Fish.

- (Totalmente sem graça) Ah, tá...

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