
Não odeia gente chique
e
usa sapato
Marcelo bebeu demais e perdeu a noção. Derrubou a caneca de cerveja no palco dos dançarinos, errou letras, ficou bravo com as broncas da produção e, como todo bêbado de cerveja, foi sete vezes por minuto ao banheiro enquanto banda e orquestra esperavam. Foi o que jornalistas e fãs viram na gravação
“Acústico MTV†do Marcelo D2, no dia 16 de julho deste ano.
Em meio a um samba-rap cada vez mais samba do que rap, claro que os inconvenientes alcoólicos não foram registrados, até porque D2 tem um discurso que o dispensa da pose de adolescente incompreendido para dar as caras no mundo pop. Ou seja, não odeia gente chique (já fez até show em festa na loja multi-marcas Daslu, em São Paulo), e usa sapato.
Desde que surgiu junto com o Planet Hemp, em 1995, no estouro do álbum de estréia “Usuário†(“Legalize Já†e “Mantenha o respeitoâ€), a moral de D2 só cresce entre público e crÃtica. Lançou seu primeiro disco solo, “Eu tiro é ondaâ€, em 1998, mesmo ano em que os integrantes do Planet foram presos em BrasÃlia sob acusação de apologia à s drogas.
Apontado como o maior responsável pela alta cotação do Planet Hemp no mercado, D2 lançou em 2003 o cd "A Procura da Batida Perfeitaâ€, com os hits “Qual é?†e “Lodeandoâ€, com vocais do seu filho Stephan, Troféu Abacaxi Atômico de Pior Participação em Disco de 2003. O álbum, recheado de samplers de antigos sambas, rendeu também prêmios na MTV, Multishow e Associação Paulista de CrÃticos de Arte (APCA).
Dos fáceis hits rap-hardcore do inÃcio do Planet até o Acústico roda de samba, D2 causou impacto na atual música brasileira. E continua a brincar com fumaça e fogo, como um moleque desafiando os conselhos do tiozão Paulinho da Viola: “Tá legal, tá legal, mas não altere o samba tanto assimâ€.

Marcelo D2 ostenta sua cabeleira ao vento